Microcrédito para Refugiados

Não basta dar o peixe, é preciso ensinar a pescar. O acesso ao crédito é fundamental para a redução da pobreza. E o microcrédito é uma das ações estruturantes mais bem-sucedidas para sair da dependência (“só receber o peixe”) e passar à auto-suficiência (“aprender a pescar”). Afinal, para pescar, alguém precisa financiar a compra da vara, do anzol, da isca...e para isso o microcrédito é fundamental.

 

Em uma experiência inovadora, o Governo brasileiro, em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), está implementando um projeto-piloto de Microcrédito para Refugiados, que busca auxiliá-los a se integrarem mais rapidamente à economia do país que os acolhe, ou a retornar a seus países de origem com crédito e conhecimento suficientes para abrirem seu próprio negócio.

 

O refugiado ou asilado político tem, normalmente, um perfil empreendedor. Em sua grande maioria, já desenvolvia atividade produtiva em seu país de origem, tendo sido obrigado a emigrar por razões de forte instabilidade política ou econômica, alheias à sua vontade. O país escolhido para a implementação do projeto-piloto com o ACNUR foi a África do Sul, por ter sido este o país que mais recebeu pedidos de refúgio no mundo (mais de um milhão, somente em 2010) e ainda não contar com políticas de microcrédito.

 

Assim, o Fundo Brasileiro de US$ 400 mil dólares para o projeto de Microcrédito Humanitário é uma ação de caráter estruturante que deverá auxiliar refugiados do Zimbábue, Malauí, Moçambique, Somália, República Democrática do Congo e tantas outras nacionalidades que procuraram refúgio na África do Sul, maior economia do continente africano, mas que enfrenta uma das maiores taxas de desemprego do mundo, de mais de 25% ao ano. A África do Sul tem sofrido também com episódios violentos de xenofobia. A contribuição brasileira ao ACNUR vem, portanto, auxiliar o país amigo, promover a inserção produtiva e a recuperação da auto-estima desses refugiados.

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