Brasil responde à crise alimentar no Malaui

O Governo brasileiro, em caráter de cooperação humanitária, realizou doação de 407 toneladas de feijão para o Malaui, por intermédio do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), para assistência dos malauianos em situação de insegurança alimentar e nutricional devido às secas de outubro de 2015 a março deste ano. Trata-se da primeira contribuição brasileira em reposta emergencial ao Malaui, desde a última operação realizada pela Embaixada do Brasil em Lilongue, há dois anos.

Os donativos distribuídos pelo PMA serão recebidos por 224.000 pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional durante o período de um mês. Como parte de uma equilibrada cesta de alimentos, os donativos incluem ainda milho e óleo vegetal.

O Comitê de Avaliação de Vulnerabilidade do Malaui (MVAC), no relatório de julho de 2015, estimou que 2,8 milhões de pessoas necessitariam de assistência para atender suas necessidades alimentares, durante as estações de escassez entre 2015/2016. Parte da necessidade é ocasionada pelas secas e também por inundações que ocorreram em 2015.

Durante a cerimônia de oficialização da doação, realizada em outubro de 2015 no Departamento de Assuntos e Gestão de Desastres (DoDMA), em Lilongue, o embaixador brasileiro Gustavo Martins Nogueira, reafirmou o comprometimento brasileiro em assistência aos malauianos em momentos de crise. “Nós consideramos o pedido de contribuição e assistência feito pelo presidente Mutharika. O governo do Malaui poderá contar com o apoio do Brasil para os esforços na segurança alimentar e desenvolvimento econômico”, disse o embaixador Nogueira.

O comissário do DoDMA, Bernard  Sande, disse que a doação demonstra o relacionamento cordial existente entre os dois governos. “Tendo em conta o problema em curso, esta doação auxiliará em um longo caminho para o alívio da fome. Nós somos gratos ao governo brasileiro por esta assistência e apreciamos a assistência logística que o PMA constantemente providencia. Nós não poderíamos fazer isto sozinhos”, disse ele.

A representante do PMA no Malaui, Coco Ushiyama, disse que a realização da doação foi muito importante para ambos, PMA e Malaui, e que espera ansiosamente a continuidade no crescimento da parceria com o Brasil. Além desta contribuição feita pelo Brasil, o PMA também recebeu contribuições do “Government of Malawi’s Strategic Grain Reserve”, composto pelos Estados Unidos, pelo Reino Unido, pela Direção Geral da Ajuda Humanitária e Proteção Civil da Comissão Europeia (ECHO) e pela Itália.

Contudo, até a próxima colheita, estima-se que ainda serão necessários 76 milhões de dólares para cooperação humanitária aos mais vulneráveis. O número de pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional no país poderá ainda aumentar nos próximos meses, à medida que o clima se torna mais seco, efeito do fenômeno climático "El Niño".

Fonte: Nyasa Times, Malawi.

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