Parcerias para superar a fome e a pobreza: PAA África no Malaui

 

Leia o artigo de Samson Kankhande (FAO) e Irene del Río (PMA), pontos focais para o PAA África no Malaui, e aprenda mais sobre como a parceria PMA-FAO funciona no campo, com diálogo e colaboração.

Em Mvera, distrito de Dowa, os agricultores da Sociedade Cooperativa Kaso Producers & Marketing sabem muito bem o que a colaboração entre a FAO e o PMA significa, já que ela mudou as suas vidas.  A iniciativa Purchase for Progress do PMA já havia inscrito a organização de pequenos agricultores em 2010 e havia reforçado a capacidade dessas organizações de vender para o mercado. A Kaso passou a obter lucros com a venda de seus produtos – algo que a maioria de seus membros nunca tinha conseguido fazer antes de começar a vender para o PMA – e a ganhar confiança suficiente e aprender boas práticas de negócios para lidar com outros compradores. No entanto, as quantidades que a organização conseguia vender eram limitadas pelo fato de que os produtos eram armazenados em um velho container fora de sua vila. A FAO apoiou a organização, incluindo-os no projeto Banco de Grãos, com a construção de um armazém e com treinamento para gestão de armazéns, o que levou a cooperativa quase dobrar suas vendas coletivas na temporada seguinte, aumentando o seu lucro em comparação com anos anteriores. Eles também sabem que não só a sua comunidade goza de segurança alimentar devido ao banco de grãos, mas também que os alimentos que venderam ao PMA foram distribuídos para alimentar malauianos em outras áreas do país.

O PMA e a FAO no Malaui também trabalham juntos aumentando a resiliência de comunidades vulneráveis aos choques climáticos. Ambas as organizações co-presidem o Cluster de Segurança Alimentar, liderado pelo Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar (MoAFS), para melhorar o planejamento de contingência e preparação para desastres. Ao responder às necessidades humanitárias após choques, o PMA garante que as comunidades tenham acesso imediato à alimentação, enquanto FAO os apoia para restaurar suas capacidades produtivas na agricultura. “Como tanto o PMA quanto a FAO são os principais parceiros do governo do Malaui em caso de emergências, a colaboração entre as duas organizações é fundamental para salvar a vida das pessoas mais vulneráveis!”, afirma Samson Kankhande, Oficial Nacional de Projetos da FAO.

Com este histórico de boa colaboração, quando o PAA África iniciou a sua implementação no Malaui, a colaboração entre a FAO e o PMA veio naturalmente e cimentou ainda mais a parceria existente. Ambas as agências estão implementando conjuntamente um projeto piloto de home grown school feeding (HGSF) em dois distritos, que é a fusão de dois programas de desenvolvimento: o Junior Farmer Field and Live Schools da FAO e o programa de alimentação escolar do PMA. O piloto do HGSF trabalha em duas áreas: a primeira é a aquisição local, que consiste na transferência de fundos para as escolas para que possam adquirir localmente os produtos de que necessitam para a merenda escolar, oferecendo apoio aos agricultores para produzir alimentos diversificados e vendê-los às escolas. A segunda área é o ambiente produtivo, que consiste em hortas escolares, que são utilizadas como campos de demonstração para a comunidade e os alunos, bem como para fornecer alguns produtos alimentícios para as escolas. O PMA começou as atividades do projeto HGSF com a implementação das compras locais para o ano letivo de 2012/2013, graças a uma contribuição do ICEIDA. Ao unir outras fontes de financiamento e aumentar a colaboração entre o PMA e a FAO, o PAA tem permitido a melhoria do piloto e habilitado sinergias entre seus participantes. Isso está abrindo portas para impactos de longo prazo dentro das comunidades onde o HGSF é implementado.

O projeto-piloto exige um acompanhamento atento e ajuste contínuo da implementação – desde o início, tanto a FAO e o PMA se sentaram juntos para elaborar o desenho do projeto, a estratégia de capacitação e implementação das atividades, as visitas de monitoramento a Mangochi e Phalombe tornaram-se regulares, com o pessoal de ambas as organizações muitas vezes indo e vindo nos mesmos carros. “Eu não sei quantas visitas conjuntas fizemos para Mangochi”, diz Irene del Río, coordenadora do P4P no país “mas após um certo número dessas visitas, posso dizer que todos nos sentimos igualmente envolvidos e responsáveis pelo sucesso global deste projeto, e que todas as suas partes se encaixam perfeitamente”. O trabalho nas escolas está beneficiando toda a comunidade. As crianças em idade escolar têm refeições diversificadas na escola, incluindo frutas, uma variedade de legumes, carne e peixe. O pessoal das escolas e pais de alunos foram treinados em gestão de fundos, e em como manter os jardins escolares aplicando novas técnicas e plantando novos produtos. Os agricultores que estão vendendo para as escolas agora tem um mercado estável e podem planejar sua produção com antecedência, enquanto eles recebem treinamento na produção, comercialização e gestão para aumentar os lucros de seu trabalho. O trabalho em conjunto da FAO e do PMA no âmbito do projeto HGSF contribui potencialmente benefícios que podem proporcionar mudanças de vida de longo prazo nas comunidades onde ocorre.

Leia o original do artigo no site do PA A África e aprenda mais sobre o Programa.