Programa "Capoeira pela paz"

Kinshasa/Goma, RDC - Sob o patrocínio de SAS a Princesa Carolina de Mônaco, a cooperação humanitária do Governo brasileiro (CGFOME), por meio da Embaixada do Brasil na República Democrática do Congo (RDC), a ONG monegasca AMADE Mondial e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançaram o programa "Capoeira para a Paz". A iniciativa consiste em introduzir a prática da capoeira para crianças desmobilizadas de forças e grupos armados com objetivo de facilitar a reintegração em suas comunidades na província de Kivu do Norte. A capoeira atrai, semanalmente, cerca de 300 refugiados, entre crianças, adolescentes e adultos. 

De acordo com os dados disponíveis, 3.663 crianças, meninos e meninas, estão associadas a forças e grupos armados, particularmente nas províncias do Nord e do Sud Kivu e de Katanga. Com o apoio do UNICEF (em seus escritórios internacionais e no Brasil) e seus parceiros, diversas atividades são integradas no processo de reintegração socioeconômica que ofereça uno novo ponto de partida na vida dessas crianças - em particular, atividades educativas e de reintegração socioeconômica, acompanhamento psicológico e atividades recreativas destinadas a estabilizar e facilitar o seu regresso a uma vida de paz.

"A Capoeira é uma dança de resistência e um instrumento de aprendizagem sobre como respeitar o próximo. Este método de integração social tem se mostrado eficiente na África e em outros lugares", disse Barbara Bentein, Representante do UNICEF na RDC. Graças à dupla abordagem esportiva e psicossocial, a Capoeira ajuda a preencher o vazio esportivo, por vezes, observado no processo de reconstrução individual e social de crianças desmobilizadas de forças e grupos armados. Por meio da música e do compartilhamento, crianças reaprendem algumas regras da vida social com os seus pares e em comunidade.

"Pela Capoeira, o Brasil e a África, em geral, e o Brasil e a RDC, em particular, têm uma excelente oportunidade para reforçar os laços históricos que os unem, pois a capoeira é uma parte da cultura da África que foi levada para o Brasil e que agora faz o caminho de volta, onde tem as suas raízes", declarou Paulo Uchoa, Embaixador do Brasil na República Democrática do Congo.

 

Para levar a cabo este projeto, a experiência e o talento de dois consultores e dois voluntários da ONU serão integrados ao programa. Um deles, o RD congolês Ninja deixou as ruas de Kinshasa onde vivia graças à prática da arte marcial brasileira. Ele declara: “a Capoeira salvou a minha vida. Ela me tirou da rua e me mostrou um caminho melhor a ser percorrido. A vida que eu vivo hoje, eu a devo à Capoeira”.

Durante os 12 meses do programa piloto, 1.200 crianças terão a oportunidade de praticar a Capoeira. Representantes da Embaixada do Brasil, da AMADE Mondial, do UNICEF, da Associação Capoeira Congo e da ONG Viva Rio integram o Comitê de Gestão do programa "Capoeira para a Paz". A formação em capoeira de educadores locais e o envolvimento de crianças que demonstrem capacidade de transmitir o seu conhecimento vão garantir a continuidade do programa por meio da formação de grupos de capoeira em Goma e em outras localidades.

 

Recorda-se que a capoeira tem uma grande vocação para incluir e unir as pessoas. Homens e mulheres de todas as idades, origens, crenças, condições financeiras e níveis de educação participam de rodas de capoeira. Hoje a capoeira pode desempenhar um papel importante na promoção da inclusão, da igualdade e da cidadania de crianças recentemente desmobilizadas de forças e grupos armados. As rodas de capoeira foram consideradas, inclusive, Patrimônio Imaterial da Humanidade em 2014 pela UNESCO.

Veja aqui algumas fotografias e vídeos do projeto.

 

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